Imagine um fadista que interpreta, sente e dança.

Interpreta com a mesma lucidez de Carlos do Carmo; sente profundamente como Variações; e dança com a mesma exaltação de Cortés.

Um fadista que dança? Sim… Telmo Pires dança quando canta porque sente o fado na alma, na voz, no corpo e em cada centímetro quadrado da sua pele. Este é o performer que lhe queremos apresentar.

Capaz de embalar os sentidos mais despertos, ou de acordar as atenções mais distraídas, Telmo tem reunido consenso nos seus concertos, em salas um pouco por todo o mundo, ao sentar na mesma plateia adeptos e desconhecedores de fado, rendidos a uma genuína e surpreendente intensidade fadista.

No palco, despe-se de artifícios e apresenta-se nu e cru: voz e guitarra!

Um corpo condutor, abandonado sob a luz de um projetor, brilha em finíssimos fios de vida e de relações que sustentam aqueles que o aplaudem de pé. Puro é somente ele, o tempo e o espaço! Guitarras dedilham o infinito de Amália Rodrigues. E o infinito não cabe a não ser em sentimento. Das línguas antigas herda o sentido de Jacques Brel. A música nasce nas cavernas nuas de quem vive despido. Um eco vazio de saudade perdido na voz de Dulce Pontes.

A poesia surge sempre no limite. A memória cede e o silêncio é subitamente ensurdecedor numa voz que se ergue para dizer “futuro”. Melodias do tempo a fazer de si próprias o destino… A palavra que se define no gesto que grita. O ato mais simples por onde dança um corpo à deriva. Assim é a arte de Telmo Pires, nos lábios que murmuram saudade.

Na nudez que procura o sagrado, nada mais do que isto é a vida.

As parecenças físicas com António Variações são responsáveis por um feliz encontro.

Após um concerto, um estranho de olhos húmidos aproxima-se e confidencia o quanto se emocionou ao vê-lo em palco.  Telmo não sabia que estava a falar com o irmão de António Variações, Dr. Jaime Ribeiro, e uma semana depois recebe em casa uma gravação com a voz de António a cantar uma melodia. Era uma oferta – o tema que Variações não teve tempo de gravar, agora resgatado por Telmo: “Por Braga Abaixo” integra o último álbum, “Ser Fado”, gravado em estúdio na presença de Jaime Ribeiro, especialmente convidado para “abençoar” o momento.

O álbum mais recente, “Ser Fado”, conta com o apoio oficial do Museu do Fado, do Instituto Camões e da Rádio Amália. Esconde alguns segredos como quatro temas originalmente cantados por Amália Rodrigues: “As Mãos que Trago”, um belíssimo poema de Cecília Meireles musicado por Alain Oulman, agora resgatado por Telmo, o único homem a cantar este tema que em tudo foge aos cânones do fado tradicional; “Marujo Português”, muito mais conhecido com a letra A Rosinha dos Limões; “Mal Aventurado”, arrepiante e à capela; “Silêncio no meu Coração”, imortalizado com o poema que a própria Amália escreveu – Estranha Forma de Vida – mas agora reinventado com a aprovação dos herdeiros de Alfredo Marceneiro (autor da música), num surpreendente texto do próprio Telmo Pires.

Esta é a história duma voz que reclama um tom denso onde já antes grandes mestres desenharam outras estórias. No palco, um corpo só, abandonado na musicalidade impar do fado, são a versão honesta desta manifestação artística ancestral, com o jazz a espreitar lá ao fundo. Mas não é triste nem solitário. É uma alma que em palco entrega o peito à bala. É um fado que está vivo e grita alegria, com a mesma energia de quem viaja no folclore minhoto ou se espreguiça no fado de lisboa.

O fado nasce em Portugal mas espalha-se pelo mundo em vozes de embaixadores que se curvam perante plateias de pé. Telmo Pires é um desses casos, com a diferença de quem se afirma em contra corrente minimal.

DEPOIMENTOS

“Mais do que emergente, Telmo Pires é já um valor seguro do fado. Um nome e uma voz que devem ser seguidos com muita e cuidada atenção, pois ou muito me engano ou está aqui a nascer uma nova estrela!” João Afonso, Tradisom

“Um dos mais fascinantes discos de fado que me foi dado a conhecer nos últimos tempos.” Edgar Canelas, Antena 1

“Telmo Pires apresentou um disco de grande qualidade e ao vivo mostrou uma postura que pode marcar a diferença no Fado.” Rui Lavrador, infocul.pt

“Telmo sabe o que faz e irradia uma luz muito especial em palco. A empatia entre o público e o cantor é fantástica. Uma paixão profunda muito bem controlada, uma execução sem mácula, profissionalíssima, em que Telmo dá generosamente o palco aos seus músicos. O público delira. A sua voz não se esgota, não encontra o limite. O concerto termina com ovações em pé do entusiasmado público que não se quer despedir deste fantástico artista e dos 90 minutos de espetáculo que todos sentiram passar num sopro.” Portugal Post

“Telmo Pires é um mágico do seu género.” Die Welt

“Certas vozes assumem imediatamente forma e enchem uma sala com a sua presença física. A voz de Telmo Pires é uma delas.” Westdeutsche Allgemeine Zeitung, WAZ

“A voz do fado: o músico personifica o protótipo de um europeu moderno. Report

“O fado interpretado de uma forma moderna, límpida e nem um pouco lamechas. O público aplaude demoradamente de pé e pede bis.” Neue Westfälische

“O cantor carismático encontra sempre uma interpretação muito individual para a música da alma portuguesa, vergando-se com grande consideração perante a tradição, sem esquecer, no entanto, as influências de uma vida em Berlim.” Zitty, Revista Berlim

Luis Pedro

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