VINHO EM LATA – acorda Portugal!

Quando há 20 anos atrás apresentamos o projeto disruptivo “Vinho do Porto em Lata” não faltaram críticas negativas dos habituais Velhos do Restelo. Na verdade, era apenas um exercício criativo e conceptual, pautado pela criação livre de um novo produto, acompanhado pelas respetivas campanhas de comunicação para apresentação da nova marca ao seu público-alvo, objetivando induzir comportamentos de simpatia e de consumo.

Hoje, a corrida ao vinho em lata tem à sua espera um mercado que vale 60 milhões de euros e que cresce a dois dígitos ao ano, prevendo-se que, a curto prazo, se consumam 400 milhões de latas de vinho por ano em todo o mundo.

A conquista de consumidores jovens e descontraídos, não tão preocupados com a tradição, é fundamental para a sobrevivência de qualquer marca ao longo da próxima década. Que não hajam distrações!!! O vinho em lata é a forma de chegar aos millenials, bem como a novas ocasiões de consumo que a simplicidade da abertura de uma lata permite – numa esplanada, numa praia ou num concerto. Nos mercados americanos e brasileiros, abrir uma lata de vinho é um gesto habitual, sobretudo no público mais jovem, ou no consumo ao ar livre por públicos de todas as idades. E agora a pandemia até veio ajudar, pois os consumidores procuram produtos amigos do ambiente, funcionais, e que se adequem cada vez mais ao consumo ao ar livre.

Em Portugal, depois da PositiveWine, da Bairrada, ter lançado o Flutt, o primeiro vinho espumante nacional em lata, seguiu-se agora o Gatão e o Gazela a afirmarem a tendência, tendo feito Portugal despertar, finalmente, para o fenómeno e seu potencial.

O Gatão em lata esteve ano e meio a ser pensado e relata, já, uma recetividade “muito acima” do esperado num mercado “convencional e ortodoxo” como o português. Mesmo sem as Campanhas de Promoção finalizadas, as expectativas apontam para três milhões de latas nos primeiros doze meses.

Na corrida, já se apresentaram também a Quinta da Lixa, a Sociedade Agrícola Casal de Ventozela… entre alguns outros como a A Adega Ponte da Barca que já vem pensando o seu projeto “vinho em lata” desde há dois anos, com um branding muito especifico, e que ainda este verão vai ver a luz do sol!

Os EUA, o Brasil, a Europa, o Mediterrâneo e a Península Ibérica estão à espera dos vinhos portugueses em lata, apesar da legislação do Vinho Verde só permitir a sua certificação em embalagem de vidro, obrigando os produtores desta região a optarem pela certificação com Indicação Geográfica Minho.

A revista britânica Decanter dá uma ajudinha, ao ter publicado um trabalho sobre o vinho em lata, procurando assim ajudar a desmistificar alguns preconceitos, ao atribuir notas de prova a vinhos em lata à venda no mercado britânico. Não há ainda marcas portugueses nesta tabela, mas esperemos que na próxima edição os nossos vinhos marquem um lugar de destaque. Têm tudo para isso.

Acorda, Portugal… não te valorizes apenas quando te plagiam as camisolas poveiras!

https://www.decanter.com/decanter-best/canned-wine-405876/

https://www.dinheirovivo.pt/empresas/vinho-em-lata-portugueses-na-corrida-por-um-mercado-que-vale-60-milhoes-de-euros-13530811.html

Luis Pedro

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